Desgraças, para variar… por Vasco Pulido Valente

Segue um texto de opinião do Jornal O Público da autoria de um senhor que admiro, Vasco Pulido Valente, cheio de verdades e sem rodeios!

“Por uma vez, concordo com António Costa. Nós precisamos de confiança e de tranquilidade, do que antes se chamava reaccionariamente ordem e disciplina.

Uma pessoa abre o jornal e começa logo pelo primeiro-ministro. O primeiro-ministro insiste em não dizer quanto recebeu sob a equívoca forma de “despesas de representação”, sem na aparência lhe ocorrer que entre as “despesas de representação” dele e as da rainha de Inglaterra pode haver uma ligeira diferença. Vem a seguir a inefável doutora Paula Teixeira da Cruz, que decretou uma reforma do mapa judiciário, mas não se lembrou de verificar a tempo e horas se ela funcionava e conseguiu desta maneira simples que os tribunais total ou parcialmente parassem – resolveu a coisa pedindo desculpa a meio mundo, na presunção de os portugueses perante esse acto de humildade a desculparem a ela como já tinham outrora desculpado Egas Moniz.

Também o dr. Crato, que passa por ministro da Educação, aproveitou o precedente e se precipitou para o parlamento com as suas “desculpas”. Qualquer dia o governo inteiro chega a S. Bento com a corda ao pescoço. Uns por isto, outros por aquilo: todos com um odor a santidade. O dr. Crato, por exemplo, não conseguiu ainda, à sétima tentativa, “colocar” os professores que se “colocam” sempre na mesma altura do ano, que ele, a Pátria espera, conhece muito bem. Consta que um funcionário se enganou numa “fórmula”. Mas não consta que o dr. Crato a tivesse visto e, com o seu olho matemático, corrigido. O sr. Primeiro-ministro acha estes “percalços” normais e abraçou efusivamente o homem em público, para o país ficar a saber.

Se continuássemos no Estado, não parávamos. Felizmente que o sector privado não nos priva de escândalos. A falência do banco Espírito Santo (ou de um bocado dele), que prejudicou ou liquidou a vida a muitos milhares de ingénuos, não nos recusou o seu quotidiano fornecimento de angústia. O caso (mesmo na cabeça dos responsáveis) tomou as proporções da queda dos Rothschilds. Os patetas do costume, de que Portugal tem uma gloriosa reserva, declararam rapidamente a sua imorredoira amizade por Ricardo Salgado; e o primeiro-ministro almoçou com José Maria Ricciardi, para presumivelmente o reintroduzir na excelsa seita dos beneméritos do povo. Entretanto, cresceu a intriga e a hesitação no governo e no Banco de Portugal, que os peritos discutem ardorosamente na televisão. A vil ralé, que assiste a este colectivo espectáculo, só gostava que eles todos, do sr. Ricciardi ao primeiro-ministro, se calassem e desaparecessem. Mas já está cansada e com pouca esperança. ”

Translation

Following is a text of the opinion of the newspaper Público written by a man I admire, Vasco Pulido Valente, full of truths and outright!

“For once, I agree with Anthony Costa. We need trust and tranquility, previously called order and discipline.

A person opens the newspaper and starts right by the prime minister. The Prime Minister insists not say as received under the equivocal form of “entertainment expenses” without looking at her that occur between the “entertainment expenses” him and the Queen of England may be a slight difference. Next comes the ineffable Dr. Paula Teixeira da Cruz, who decreed a reform of the judicial map, but did not remember to check out on time if it worked and got this simple way the courts or partially full stop – decided the thing apologizing halfway around the world, the presumption of the Portuguese before this act of humility to apologize to her as I had previously apologized Egas Moniz.

Also the dr. Crato, passing by Education Minister took precedent and rushed to the parliament with his “apology”. Any day the entire government comes to St. Benedict with the rope around his neck. Another by this, others for what: everyone with an odor of sanctity. The dr. Crato, for example, still failed at the seventh attempt, “put” teachers who “put” always the same time of year, he, the Homeland expected, knows very well. Stated that an employee is tricked into a “formula”. But not in the dr. Crato had seen and, with his mathematical eye, corrected. The sr. Prime Minister thinks these normal “mishaps” and warmly embraced the man in public, to get to know the country.

If we continued in the state, not we stopped. Fortunately that the private sector does not deprive us of scandals. The bank failure Holy Spirit (or a bit of it), which damaged or liquidated the lives of many thousands of naive, not declined in their daily supply of anguish. The case (even in the minds of parents) took the proportions of the fall of the Rothschilds. The goofy costume, that Portugal has a glorious book, quickly declared their imperishable friendship by Ricardo Salgado; and lunch with Prime Minister José Maria Ricciardi, presumably to reintroduce the lofty sect of the benefactors of the people. However, the intrigue grew and hesitation in government and the Bank of Portugal, which experts argue passionately on television. The vile rabble, who watches this collective show, just wish them all the sr. Ricciardi to the Prime Minister to shut up and disappear. But she was tired and with little hope. “

Van Gogh e Direito Penal

Quadro de Van Gogh – “A ronda dos presos” 1890

Um grande exemplo de como o direito e a arte se interligam, nesta pintura, subjaz uma ideia de concepção retributiva da pena, que se traduz na imposição de um mal a quem praticou um mal, uma ideia de castigo.

Apesar de se tratar de uma teoria inadequada para fundamentar a atuação do Direito Penal, embora este tenha um fim de retribuição, não pode ter a teoria da retribuição como fim em si mesmo.

Importando, aqui realçar não as concepções jurídicas mas sim o fato de existir uma relação estreita entre arte e direito, uma forma diferente de conceber e analisar problemas e teorias.

Translation

A great example of how the law and art are intertwined in this painting underlies an idea of retributive conception of punishment, which translates into the imposition of an evil to those who committed an evil, an idea grounded.

Although it is an inadequate theory to justify the actions of the criminal law , although it has an order of retribution , can not have a theory of retribution as an end in itself .

Importing , here emphasize not legal conceptions but the fact there is a close relationship between art and law, a different way of design and analyze problems and theories form .

Hanna Arendt

Deixo este post em jeito de homenagem a uma grande filosofa ( titulo o qual ela sempre rejeitou), cujo as suas ideias revolucionaram a forma de olhar a teoria politica, avançou conceitos como o de “totalitarismo” que veio preencher um vazio conceptual existente na teoria politica contemporânea. Defensora da democracia direta e dos ideias de igualdade e liberdade.

Entre as suas obras mais relevantes é possível encontrar “As origens do totalitarismo” (1951) e “Eichmann em Jerusalém”(1963),livro este que lhe valeriam criticas duríssimas por parte da comunidade judaica. Sem papas na língua e com um forte pensamento independente merece aqui a minha admiração e gratidão por tudo o que acrescentou ao universo académico, mas mais que isso à consciência social e politica dos nossos tempos.

Saúdo-a aqui, já que hoje ,caso fosse viva, cumpriria o seu 108º aniversário, os anos passam mas as ideias ficam!

Translation

I leave this post by way of homage to a great philosopher (a title which she always rejected ) , whose ideas revolutionized their way of looking at political theory , advanced concepts such as ” totalitarianism ” that fills an existing void in the conceptual theory contemporary politics. Advocate of direct democracy and the ideas of equality and freedom .

Among his most important works is possible to find ” The Origins of Totalitarianism ” ( 1951) and ” Eichmann in Jerusalem ” (1963 ) , this book would be worth it to harsh criticism from the Jewish community . Outspoken and a strong independent thinking here deserves my admiration and gratitude for all that added to the academic world , but more than that, to the social and political consciousness of our times .

I welcome it here , because today , if she were alive , would fulfill its 108th birthday, the years pass but the ideas stays forever!

Uma palavra mil sentidos, ficas à volta e à volta, pensas, será que foi entendido como queria? será que não? A dúvida abate-se sobre o teu ser, receio, insegurança, mas para quê se tudo flui? Receio de perder e nunca mais ver talvez… Corriges, tentas corrigir, para quê? Deixa o racional de lado, aqui conta o sentido e só uma coisa faz sentido! A irracionalidade apodera-se do nosso ser, para quê contrariar algo… lá está, irracional, espontâneo, único.
Balbucias palavras só por balbuciar, tentas ordenar os pensamentos, transmitir adequadamente aquilo que te arde e consome cá dentro, não consegues transmitir nem metade daquilo que estás a sentir de tão grandioso e especial que é , e será.
A procura por aquele momento incessante, intenso, único, que só uma chave, um elemento, um ,e só um o consegue causar, que nunca tem fim querendo que seja infinito, sem barreiras… pára o tempo! Não dá!
Une-te num só, e perdemo-nos no infinito , o gesto chega lá, torna-se imaterial, o cheiro fica, vagueando num oceano só NOSSO.